quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um lugar pra mim


Ás vezes eu tenho vontade de fugir... De ir pra algum lugar calmo e que me traga paz. Um lugar que nada nem ninguém vai me atrapalhar, onde eu possa me refugiar de tudo e de todos. Simplesmente um cantinho só meu, decorado do meu jeito, com as coisas que eu gosto, com o cheiro que eu gosto. Não necessariamente um lugar fechado. Poderia ser uma praia, um bosque... Não importa. Eu só queria poder ir pra lá quando estivesse triste, e poder olhar para as nuvens, e pensar em tudo que está acontecendo; poder sentir o vento, e deixar que ele levasse todas as minhas preocupações; poder deitar na grama para organizar meus pensamentos. Um lugar diferente do que eu estou, do que eu vivo. Onde não tenha tanta pressão por causa de trabalhos, responsabilidades; que me deixasse imune ás dores de cabeça, de garganta, e as do coração, principalmente as do coração. Que não deixasse que eu pensasse no que me faz mal, no que faz com que eu perca a alegria do dia-a-dia. Onde não tivesse as pessoas que eu insisto em ver todo dia, que eu irrito todo dia. Um lugar pra mim.Que não tivesse amigos, família, colegas, professores... ninguém. O lugar em que eu choraria para aliviar meu coração. Que eu gritaria, o mais alto possível, como se os gritos levassem embora minha dor, minha angústia. Que toda vez que eu começasse a pensar no que me entristece, eu ouvisse o canto de um pássaro, ou o latido de um cachorro, que dispersasse aqueles pensamentos. Onde eu colocaria música alta,e dançaria sozinha, sem parecer louca.Que eu pudesse deitar á noite, sob as estrelas, e observá-las, como até hoje eu não tive tempo de fazer. Que eu pudesse acordar pra ver o nascer do sol, e o pôr do sol á tardinha. Poder observar os formatos das nuvens, sentir o cheiro de grama molhada. Talvez andar descalça na areia, e sentir o mar tocar meus pés.Onde choveria, e eu ficaria na chuva, a deixando lavar minha alma. Sozinha. No meu lugar, eu não me sentiria a boba de sempre, a louca de sempre, a chorona, a burra, a irritante de sempre. Lá eu seria apenas EU.

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